Nesse período todo que venho me dedicando com mais profundidade ao estudo do feminino, se eu tiver que destacar apenas 1 aprendizado como o mais importante de todos, sem dúvida eu escolho falar sobre o que aprendi a respeito dos ritmos. Meus, do mundo, das mulheres, da Lua, das danças… e nesse tempo vim fazendo também um intenso trabalho comigo em relação a esses ritmos todos que passei a observar e respeitar mais, em mim e no mundo.
Desacelerar, desacelerar... no mundo de hoje não é tarefa nada fácil... mas porque desacelerar? No meu caso porque depois de muitos anos de auto-observação, percebi com clareza que estar acelerada, com muitas coisas a fazer ao mesmo tempo, tendo que equilibrar muitos pratos simultânea e diariamente, trazia minhas feras para fora. Ou seja, a minha pior versão atuava no mundo na maior parte do tempo!
Além disso, descobri que para poder aprofundar o trabalho iniciado, de mergulhar no meu feminino e do mundo, eu preciso ter tempo. Tempo para observar e respeitar meus ritmos internos. Tempo para me cuidar mais. Tempo para contemplar. Tempo para dançar. Tempo para compartilhar. Tempo livre. Tempo para mim. Tempo para os outros. Tempo para cozinhar.
E assim vou ajustando meus tempos internos e atividades de um jeito que eu possa andar por ai mais leve, mais rítmica, mais inteira.
sexta-feira, 19 de setembro de 2014
um pouco sobre o que aprendo...
quinta-feira, 15 de agosto de 2013
Porque é tão difícil colocar-se no lugar do outro?
"Quando ele toca nesse assunto, não sei o que acontece, mas fico fora de mim, irritadíssima!"
"Teve uma situação que me chateou bastante. Fiquei magoada com a atitude dela. Agora também não ligo mais!"
"Esse final de semana fiz um programa que nunca faria se não tivesse sido obrigada por uma amiga. O lugar era totalmente fora do circuito que costumo frequentar, mas sabe que eu me diverti à beça? Nunca imaginei..."
O que essas falas tem em comum?
Uma reação automatizada diante de fatos, circunstâncias, palavras, pessoas, - ou seja, situação A reação B, sempre, independente de variáveis com certeza presentes, sem reflexão -, é um sintoma do enrijecimento da nossa visão de vida e mundo.
Para Jung, reagimos de maneira automatizada, inconsciente, em função dos complexos que vão se formando ao longo do processo individual de viver, relacionar-se, sentir. Complexos são experiências afetivas repetidas numa mesma direção e que formam então, algo como um nódulo energético que suga grande parte da nossa energia vital/psíquica e direciona nossa visão de mundo. Em função dos complexos, só ouvimos o que queremos e sentimos o que podemos.
Por isso é tão difícil entender a visão de mundo, a conduta, a atitude, a ação do outro. Em cada SER, seus complexos. Para cada complexo, reações inconscientes, autônomas.
E por esse mesmo motivo é tão importante que saibamos como as coisas funcionam em nós, nos conheçamos e possamos buscar ampliar a cada momento nosso espectro de consciência; e então fazer nossas próprias escolhas de conduta, independentes, diferentes ou iguais, mas conscientes. E não mais viver sendo conduzidos pelos nossos complexos, padrões de comportamento impostos, inconscientes.
Na prática do processo terapêutico não há nada mais valioso do que o movimento que cada um vai fazendo em direção à liberdade de SER, inteiro, independente de.
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domingo, 23 de junho de 2013
Exercício Diário
"Devemos praticar a paz, a harmonia, a individualidade e a firmeza de propósito. E esta realidade deve se desenvolver dentro de nós até que se torne a característica mais importante da nossa existência. Devemos prontamente praticar a paz, imaginando nossa mente como uma lagoa a ser mantida sempre calma, sem ondas ou mesmo ondulações que possam interferir em sua tranqüilidade e gradualmente desenvolver seu estado de paz até que nenhum evento da vida, nenhuma circunstância, nenhuma outra personalidade possam, sob condição alguma, afetar a superfície desta lagoa ou fazer surgir dentro de nós qualquer sentimento de irritação, depressão ou dúvida."
Dr. Edward Bach
sexta-feira, 31 de agosto de 2012
Eu amo o meu trabalho. E você? :: Artigo publicado na Revista Expressa Mais!
Quase todo dia
ouço alguém reclamar do trabalho: que não gosta do que faz, que não agüenta
mais a rotina, que não tem ânimo, que o chefe...
O cenário
da maioria das pessoas atualmente é de um dia a dia estressante no trabalho,
cobranças cada vez maiores por resultados, pouco tempo de sobra para o “resto”
das coisas da vida, pouco dinheiro de sobra no final do mês e por aí vai. Por
que será que a nossa sociedade transformou o trabalho em tamanho peso?
Desde a
escolha do caminho profissional, será que as questões que nos nortearam foram o
prazer, o desejo profundo de exercer tal ou qual atividade profissional, a
aptidão? Ah mas como nortear-se por isso, se há contas a pagar, uma vida a
construir, coisas a conquistar? É o que as pessoas me perguntam...
Claro, eu
respondo, há que se pensar nas contas a pagar e todos os outros deveres sociais
que vem com a vida adulta. Mas será que não há possibilidade de se unir os
vários anseios?
Eu acredito
que sim.
Mas eu vejo
a maioria das pessoas tão fechada na crença de que o trabalho é apenas o meio
que viabiliza o dinheiro e este, por sua vez viabilizará a felicidade, que não
enxerga outros caminhos possíveis para isso. E eu pergunto a idéia é chegar lá
ou viver lá?
Então me
lembrei da história do pescador que morava numa casinha simples, pescava a
quantidade de peixes necessária à subsistência da família e vivia sua vidinha
pacata e feliz quando veio alguém e lhe disse – mas por que você não pesca
vários peixes e vende o que você não vai comer? Com isso você faz dinheiro e
daí pesca mais peixes, emprega pessoas, compra barcos etc. e logo você está com
uma grande fortuna? O pescador pensou na idéia e seguiu com ela. Depois de
muitos anos, com uma empresa muito grande, que empregava muita gente, ele
andava tão estressado e infeliz que tudo que queria era vender tudo e ir pescar
seu peixinho tranqüilo... Ora, mas não era isso que ele já tinha, então por que
percorrer todo esse caminho?
A questão
não é o dinheiro em si. Costumo dizer que o dinheiro e tudo que vem com ele é uma
delícia, mas depende do quanto ele custa para mim. Ou seja, quanto de alegria,
satisfação, prazer, ritmo e independência ele vai me custar.
Porque eu
acho que o caminhar da vida é o caminho e precisa ser vivido hoje da maneira
que eu sonho viver algum dia. Não dá para ficar vivendo com a esperança de que
o futuro chegue e então eu possa ser feliz. Tenho que buscar cada possibilidade
de ser feliz hoje, em todas as minhas dimensões de ser.
E a
profissional, como energia fundamental da vida, não pode estar fora dessa
equação. Energia que vem de “ergos” = que produz trabalho, modificação. Nesse
sentido, a energia que coloco no trabalho faz toda diferença no meu processo de
evolução, de vida!
Buscar o
que realiza, o que faz feliz e que te motiva no trabalho pode ser um caminho
mais longo ou mais curto, mas parece ser um imperativo nos tempos de hoje. E a
geração Y talvez possa nos servir de inspiração à medida que já nasceu num
mundo de infinitas possibilidades trazidas pela tecnologia, pela melhora na
condição geral de vida do País e do Mundo nesse momento da história. Eles não
se perguntam se podem fazer, simplesmente vão lá, inventam, acreditam e fazem.
Boa
reflexão para as férias de Julho, não? Boas férias!
terça-feira, 21 de agosto de 2012
Palesta: Jung e o Homem Contemporâneo
Amanhã, 22/08, faço uma palestra no Espaço Cultural A Coisa com uma leitura do homem contemporâneo sob a visão Junguiana, através do Mito de Sísifo.Sísifo é aquele que por ter desafio o deus do Olimpo, Zeus, recebeu como castigo rolar uma pedra montanha acima para vê-la escorregar quando estava prestes a chegar a cume. Sísifo então retoma seu esforço de empurrar a pedra montanha acima, infinitamente.
Começando às 20:30 hs, a atividade faz parte do Ciclo de Palestras que acontece no Espaço e é uma atividade gratuita.
O Espaço Cultural A Coisa fica na R. Amador Bueno, 1300, próximo à Av. Nove de Julho.
Apareçam! Vai dar um bom bate papo.
quarta-feira, 15 de agosto de 2012
Individualidade na relação a dois
Ôoooo conversinha complicada essa não?? Esse tem sido um tema recorrente no consultório e nas conversas informais com amigos e amigas por isso resolvi fazer aqui algumas reflexões.
Como faz para preservar a individualidade no relacionamento a dois? Como aceitar numa boa que o desejo do outro pode não ser o mesmo que o meu em alguns momentos? Qual é essa linha tênue que separa o meu desejo, o desejo do outro e o nosso encontro?
Eu penso que é uma questão de tomar consciência dos próprios desejos, limites, carências e pontos obscuros para então poder separar o que é meu, o que é do outro e o que é nosso. Mas como fazer isso? Gosto de um jeito prático de olhar para as situações e então refletir:
Quando a minha reação está diretamente relacionada a um comportamento do outro, que tenha sido desrespeitoso ou de pouco caso, devo colocar claramente os limites, de maneira que eu me sinta respeitado e valorizado. Quando meu sentimento é de alguma forma desproporcional ao comportamento do outro, objetivamente analisando, alerta: pode ser que pontos meus estejam invadindo a relação a dois.
Nessa hora, apenas ter consciência não basta. É preciso ter coragem para encarar o seu ponto de dor, de medo, de seja lá o que for, para não depositar sobre o outro expectativas que nunca poderão ser preenchidas, porque seja lá qual for o SEU ponto, só VOCÊ poderá dar conta dele. Nunca o outro.
Outro ponto a refletir é que quando gostamos de alguém parece surgir um sentimento de preenchimento que quando estamos sozinhos quase não acontece, infelizmente.. (mas esse é outro papo...) Querendo preservar esse sentimento, de repente nos pegamos querendo que ele dure para sempre... aí é que mora o perigo! Podemos começar a desejar que o outro seja para sempre aquele ser que vai manter a quentinha sensação de preenchimento. E daí começam as expectativas sobre como o outro deve ser - aquele ideal - para ser capaz de manter a sensação de preenchimento.
Mas tem um dia que esse alguém começa a se interessar por um algo que não tem nada a ver com o seu mundo e pelo que você não se interessa... hum... o que fazer? Respeitar, compreendendo que tem uma porção de individualidade em cada um de nós que se não puder ser compartilhada com o nosso alguém, pouco importa. Não acredito em relação à dois onde se possa compartilhar TUDO. Acredito que se possa compartilhar partes - por vezes até generosas - do nosso TUDO com algumas pessoas.
E o que compartilhamos é que deve ser a parte em foco, pois essa é a parte relação. A dois, a três, a quatro, em família...
Quando a minha reação está diretamente relacionada a um comportamento do outro, que tenha sido desrespeitoso ou de pouco caso, devo colocar claramente os limites, de maneira que eu me sinta respeitado e valorizado. Quando meu sentimento é de alguma forma desproporcional ao comportamento do outro, objetivamente analisando, alerta: pode ser que pontos meus estejam invadindo a relação a dois.
Nessa hora, apenas ter consciência não basta. É preciso ter coragem para encarar o seu ponto de dor, de medo, de seja lá o que for, para não depositar sobre o outro expectativas que nunca poderão ser preenchidas, porque seja lá qual for o SEU ponto, só VOCÊ poderá dar conta dele. Nunca o outro.
Outro ponto a refletir é que quando gostamos de alguém parece surgir um sentimento de preenchimento que quando estamos sozinhos quase não acontece, infelizmente.. (mas esse é outro papo...) Querendo preservar esse sentimento, de repente nos pegamos querendo que ele dure para sempre... aí é que mora o perigo! Podemos começar a desejar que o outro seja para sempre aquele ser que vai manter a quentinha sensação de preenchimento. E daí começam as expectativas sobre como o outro deve ser - aquele ideal - para ser capaz de manter a sensação de preenchimento.
Mas tem um dia que esse alguém começa a se interessar por um algo que não tem nada a ver com o seu mundo e pelo que você não se interessa... hum... o que fazer? Respeitar, compreendendo que tem uma porção de individualidade em cada um de nós que se não puder ser compartilhada com o nosso alguém, pouco importa. Não acredito em relação à dois onde se possa compartilhar TUDO. Acredito que se possa compartilhar partes - por vezes até generosas - do nosso TUDO com algumas pessoas.
E o que compartilhamos é que deve ser a parte em foco, pois essa é a parte relação. A dois, a três, a quatro, em família...
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
Saudade... do que foi e do que poderia ter sido...
Ontem fiquei feliz porque o Caetano Veloso completou 70
anos, com cara e olhar de menino, mas
com um legado tão marcante e ao mesmo tempo tão doce... E com planos para o
futuro e, esperamos todos, que sejam poesias tão lindas e que nos toquem
profundamente...
Hoje vi que o Magro, do grupo MPB4 faleceu aos 68 anos,
vitima de um câncer, fique muito triste...
E, por incrível que possa parecer, as duas notícias me
trouxeram um sentimento de saudade, saudade do que já foi, saudade do tempo em
que estávamos “sem lenço, sem documento” brigando por algo que acreditávamos,
pela liberdade de expressão, pela igualdade dos direitos, pelo direito de amar
quem quer que seja e, ao mesmo tempo, saudade da pessoa que fui e do que
poderia ter sido... Saudade de ter pela frente a ilusão de que tinha a capacidade
de mudar o mundo... como é bom esse sentimento, por mais ambicioso e presunçoso
que ele possa ser!
Com o passar dos tempos, me deparo com a questão de que não
só não consegui, e não conseguirei jamais, mudar o mundo, como estou “pelejando”
para mudar a mim mesma, como o Sisifo que todo dia rola a pedra montanha acima
e vê a pedra rolando de volta...
Então me vem à mente uma das frases que gosto
muito “você faz as suas escolhas e elas te fazem”... sim, estou tentando mudar
algo que eu mesma escolhi! Será ??? Sim, é tudo muito embolado e interligado,
o caminho e as escolhas que fiz durante a minha vida me trouxeram até esse
ponto, mas agora está no momento de voltar simbolicamente em algumas
encruzilhadas da vida e re-significar algumas escolhas e deixar para trás
algumas “pedras” que carreguei ao longo dessa vida ...
É aí que a saudade
volta, você olha para tudo que carregou ao longo dessa vida, separa o que vale
a pena ficar, se despede do que não lhe cabe mais e, simplesmente, deixa rolar
morro abaixo, sabendo que tudo foi importante para tornar a pessoa que você é
hoje!
E neste ponto eu olho para o lado e percebo que não estou
sozinha nessa tarefa, pois tem várias pessoas nesse mesmo exercício e, neste
ponto, espero que cada um sinta a delícia de se saber único e ao mesmo igual a
todos que o cercam...
E assim é a vida,
uma delícia de viver !!!
Essa postagem é uma deliciosa contribuição da minha amiga Lucia Navarro, psicoterapeuta junguiana e coach que atende em São Paulo.
Essa postagem é uma deliciosa contribuição da minha amiga Lucia Navarro, psicoterapeuta junguiana e coach que atende em São Paulo.
terça-feira, 31 de julho de 2012
O Cavaleiro Preso na Armadura
Ontem finalizei a releitura desse livro tão curtinho e tão interessante. Conta a fábula de um cavaleiro muito dedicado à sua tarefa de guerrear e proteger e salvar e que queria ser o melhor cavaleiro de todo o reino. Queria estar sempre pronto para a próxima batalha e aos poucos começou a nem mais tirar a armadura quando voltava para casa pois assim sentia-se mais pronto para suas tarefas. Com o passar dos anos, a única imagem do cavaleiro que todos enxergavam era sua armadura.
E quando percebeu, não conseguia mais se desvencilhar da armadura e se aproximar das pessoas que amava, de seus sentimentos, de sua imagem verdadeira. Ele então se aventura pela Trilha da Verdade, em busca de sua verdadeira face.
Quem nunca se sentiu assim? Preso numa situação, numa verdade, numa imagem da qual não consegue se livrar?
Para nos livrarmos das nossas armaduras é preciso ter coragem de ouvir a voz que fala na boca do estômago, sabe qual? aquele eu mais mais verdadeiro e generoso, a indicar o melhor caminho, sempre. Independente do que dizem ou pensam aqueles que estão ao nosso redor.
É preciso também aprender a falar a voz do coração consigo mesmo, claro, porque essa é a tarefa mais difícil, aceitação e amor à natureza humana imperfeita em si. Com os outros é consequência.
É preciso aprender a surfar e aprender em cada situação da vida, sem pré - supostos, sentidos, conceitos. Apenas a observação dos sentidos, do silêncio, da vida ao redor, tão entrelaçada que se faz nas situações, pessoas, acontecimentos, que fica até previsível quanto menos nos agarramos ao que podemos ver e observamos com os olhos fechados.
O livro vale a leitura!
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