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segunda-feira, 8 de maio de 2017

Dança Circular ≈ Meditação em Movimento ≈ Individuação

As Danças Circulares são danças dos povos, dançadas em diferentes culturas e momentos da humanidade, desde sempre. É uma meditação em movimento. Enquanto você se deixa levar pela roda e vai acertando os passos, sua mente fica tão concentrada naquele processo, naquele passo, naquele ritmo, que vai entrando em um vazio meditativo delicioso. Eu adoro!

O círculo é um dos símbolos mais importantes e poderosos e uma das grandes imagens arquetípicas da humanidade. São infinitas as imagens circulares encontradas no mundo. Círculo, forma universal que representa o todo unificado, sem começo, meio ou fim. Sem hierarquia. 

Enquanto dançamos em Círculo, vamos desenhando uma Mandala. Em suas obras, Jung refere-se às Mandalas, palavra sânscrita que significa círculo, como símbolo dos “si mesmo”, a totalidade da personalidade - o SELF. Para ele, a meta do desenvolvimento psíquico é a individuação, ser o “si mesmo” que se é, e a aproximação em direção a ela não é linear, mas circular. 

Dançar é movimento. Do corpo, da energia, da vida. O movimento, o ritmo e a participação de cada um faz como que o círculo seja vivenciado como símbolo vivo e pulsante. Se energia psíquica para Jung é igual energia vital, a partir do momento que eu trabalho o movimento nas danças, ativando a minha energia vital, estou também ativando a minha energia psíquica. Fazendo fluir conteúdos entre as diferentes camadas da psique, ou seja, tornando conteúdos inconscientes, conscientes – individuando.

"Dançar é celebrar, é a demonstração dos sentimentos quando as palavras são insuficientes. O homem primitivo dançava em todas as ocasiões, ao amanhecer, na morte, no nascimento, para celebrar um encontro, o casamento, a boa caça, o plantio e a colheita. A primeira representação de uma dança em grupo encontrada na história da humanidade, data de 8.000 anos a.C., é a Roda de Addaura, localizada em Palermo na Itália."

A dança circular enquanto movimento teve início em 1976, através do bailarino e coreógrafo polonês Bernhard Wosien. Segundo ele, o intuito era trabalhar uma expressão corporal que pudesse transmitir organicamente um estado espiritual de alegria e amor.  Conseguiu. 

Todas as danças circulares são um convite para olharmos para nós mesmos e para o outro e podem ajudar na construção de caminhos para essa essência que Jung chamou de Self, pois, possibilitam a vivência simbólica e energética dos arquétipos e imagens simbólicas inconscientes, propiciando a integração desses conteúdos. 

Vamos dançar?

p.s: conteúdo baseado no trabalho de Conclusão de Pós-Graduação em Psicologia Analítica no Instituto Ânima, de autoria de Amanda Vigo - "A contribuição das danças circulares para o processo de individuação proposto por C. G. Jung."

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Porque é tão difícil colocar-se no lugar do outro?


"Quando ele toca nesse assunto, não sei o que acontece, mas fico fora de mim, irritadíssima!"

"Teve uma situação que me chateou bastante. Fiquei magoada com a atitude dela. Agora também não ligo mais!"

"Esse final de semana fiz um programa que nunca faria se não tivesse sido obrigada por uma amiga. O lugar era totalmente fora do circuito que costumo frequentar, mas sabe que eu me diverti à beça? Nunca imaginei..."

O que essas falas tem em comum?

Todas expressam sentimentos causados por situações do dia a dia que afetaram cada um de uma maneira, mas que foram percebidos como reações recorrentes na história de vida. 

Uma reação automatizada diante de fatos, circunstâncias, palavras, pessoas, - ou seja, situação A reação B, sempre, independente de variáveis com certeza presentes, sem reflexão -, é um sintoma do enrijecimento da nossa visão de vida e mundo. 

Para Jung, reagimos de maneira automatizada, inconsciente, em função dos complexos que vão se formando ao longo do processo individual de viver, relacionar-se, sentir. Complexos são experiências afetivas repetidas numa mesma direção e que formam então, algo como um nódulo energético que suga grande parte da nossa energia vital/psíquica e direciona nossa visão de mundo. Em função dos complexos, só ouvimos o que queremos e sentimos o que podemos.

Por isso é tão difícil entender a visão de mundo, a conduta, a atitude, a ação do outro. Em cada SER, seus complexos. Para cada complexo, reações inconscientes, autônomas.

E por esse mesmo motivo é tão importante que saibamos como as coisas funcionam em nós, nos conheçamos e possamos buscar ampliar a cada momento nosso espectro de consciência; e então fazer nossas próprias escolhas de conduta, independentes, diferentes ou iguais, mas conscientes. E não mais viver sendo conduzidos pelos nossos complexos, padrões de comportamento impostos, inconscientes.

Na prática do processo terapêutico não há nada mais valioso do que o movimento que cada um vai fazendo em direção à liberdade de SER, inteiro, independente de.


quinta-feira, 1 de março de 2012

Eu, terapeuta


Depois de anos como cliente de psicoterapia, eu tinha muita consciência de mim, minhas características e desequilíbrios que causavam sofrimento à mim e às pessoas queridas ao meu redor, mas de fato, tinha conseguido fazer poucos progressos em termos de mudança de comportamento ou alívio do sofrimento.

A transformação que se processou em mim após início de novo processo terapêutico que aliou a psicoterapia com técnicas como Caixa de Areia, Florais de Bach e Relaxamento entre outras, foi determinante na definição do meu caminho como Terapeuta.

Decidi não retomar o 5º ano do curso de Psicologia e dedicar meu tempo ao estudo dos Florais de Bach, das bases da Psicologia Junguiana e do entendimento do ser humano numa visão holística. Afinal, ser psicóloga talvez não me desse a liberdade de trabalhar em consonância com o que acredito: é a combinação de técnicas terapêuticas que trabalham diretamente no restabelecer do livre fluxo energético ao trabalho de psicoterapia, que traz avanços profundos no processo de autoconhecimento e equilíbrio do ser para uma vida mais integrada e feliz.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Individuação

A individuação é um processo que permeia toda a vida. É o potencial latente a ser trabalhado, vivido. Segundo Jung “Só aquilo que somos tem o poder de curar-nos”
O processo de individuação, portanto, é integrar nossas partes inconscientes ao ego, consciência, para realizar o nosso Self, Si-Mesmo. Individuar é realizar o ser único que somos, nos diferenciando cada vez mais do comportamento em massa.

Porém isso não significa excluir-se do mundo, mas antes conhecer-se tão profundamente a ponto de compreender-se, e ao compreender-se, compreender o humano e o divino em cada ser e sentir-se parte ínfima e essencial desse todo.

Para Jung, é a partir da segunda metade da vida que entramos mais profunda e definitivamente nesse processo. É inexorável. E nesse processo a religiosidade é uma dimensão do homem que não pode ser negada. Jung usa a palavra religião no sentido do religio = re e ligare. Ou seja, religar os aspectos conscientes (ego) às profundezas do inconsciente (self), individuar-se.

"Entre todos os meus doentes na segunda metade da vida, isto é, tendo mais de 35 anos, não houve um só cujo problema mais profundo não fosse constituído pela questão de sua atitude religiosa. Todos, em última instância, estavam doentes por ter perdido aquilo que uma religião viva sempre deu em todos os tempos a seus adeptos, e nenhum curou-se realmente sem recobrar a atitude religiosa que lhe fosse própria. Isto está claro, não depende absolutamente de adesão a um credo particular ou de tornar-se membro de uma igreja." Jung

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Caixa de Areia ou Sandplay

A técnica terapêutica da Caixa de Areia, desenvolvida por Dora Kalf, foi muito utilizada por Jung.

Consiste na construção de cenários numa caixa de areia com proporções milimetricamente pensadas, de fundo azul, coberta com generosa quantidade de areia tratada e prazerosa ao tato.

A terapeuta tem uma prateleira de miniaturas, que são os objetos que serão, concentrada ou displicentemente, usados pelo cliente para brincar de construir um cenário qualquer. Por vezes, acontece apenas o manuseio da areia na caixa e o cenário acontece.

A areia é o meio perfeito para a condução da energia psíquica, movimentando-a e contribuindo para o seu livre fluxo. Essa energia liberada e mais leve, trabalha a favor do equilíbrio das emoções e do autoconhecimento.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Jung - Vida e Obra

“Minha vida é a quintessência do que escrevi
e não ao contrário.
O que sou e o que escrevo são uma só coisa.
Todas as minhas idéias e todos os meus esforços,
eis o que sou.”
                                                    Jung

Carl Gustav Jung nasceu na Suíça em 26 de Julho de 1875, sob o signo de Leão, elemento FOGO. De personalidade introvertida, conta sua vida em Memórias, Sonhos e Reflexões, sua autobiografia escrita aos 83 anos, menos por fatos do que por sentimentos, pensamentos, sonhos e reflexões a respeito da vida, do mundo e de Deus, desde muito pequeno. Passava horas brincando sozinho e teve muitos momentos de intensa solidão.

O primeiro sonho de que Jung se recorda, relatado nas Memórias, aconteceu quando ele tinha mais ou menos 3 anos de idade!

Filho de um pastor protestante, que segundo Jung tinha muita dificuldade com a fé, a relação com Deus e os dogmas que não tinha coragem de enfrentar, Jung teve na religião e espiritualidade forças de grande influência na sua vida e obra.

A vida toda de Jung foi marcada por símbolos e imagens do inconsciente, brincadeiras rituais que criava, ainda sem um significado razoável, fora a marca e alento emocionais que deixavam no menino, já profundo no acesso às imagens do mundo interior.

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