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segunda-feira, 13 de outubro de 2014

O que te move?

O filme O Físico, adaptação do livro de Noah Gordon que eu já tinha lido há muito tempo, me tocou neste ponto. O que nos move? 

O filme, que se passa por volta dos anos 1020, conta a história de um órfão Inglês que foi movido pelo amor ao conhecimento e à cura. Percorreu o mundo para buscar esse conhecimento com o Mestre conhecido Ibn Sina, na Pérsia! Vale a pena a leitura ou o filme!

Mas o que me deixou pensando foi essa tal força da vontade que nos move a todos, ou não, todos os dias. Porque fazemos o que fazemos e no momento em que fazemos? Conhecer-se é reconhecer as forças psíquicas que atuam em nós, de onde vem nossos desejos.

Como reconhecer os desejos que são do ego? Aqueles que tenho todos os dias, movidos pelo meu desejo de ser reconhecido, amado, acalentado nas minhas feridas, aqueles desejos que aplacam o medo, a insegurança…

E como reconhecer aqueles desejos mais profundos, que me levam em direção a quem eu sou de verdade, ainda que demandem muitos sacrifícios e ou obstáculos a serem vencidos, mas que no final deixam aquele gosto de certeza de ter feito a escolha mais certa?

Conhecendo-se. Observando-se. Ligando os pontos que me trouxeram a ser quem sou hoje. 

A partir daí, experimentando nas minhas decisões diárias essa observação de mim mesmo, começo a identificar a diferença entre eles. O primeiro parece deixar uma sensação de vitória que se esvai rapidamente conforme aparece o mais novo desejo. O segundo, ao contrário, parece deixar uma sensação de paz e segurança do caminho tomado, é duradouro, pacífico.

Já parou para pensar no que tem te movido?

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Porque é tão difícil colocar-se no lugar do outro?


"Quando ele toca nesse assunto, não sei o que acontece, mas fico fora de mim, irritadíssima!"

"Teve uma situação que me chateou bastante. Fiquei magoada com a atitude dela. Agora também não ligo mais!"

"Esse final de semana fiz um programa que nunca faria se não tivesse sido obrigada por uma amiga. O lugar era totalmente fora do circuito que costumo frequentar, mas sabe que eu me diverti à beça? Nunca imaginei..."

O que essas falas tem em comum?

Todas expressam sentimentos causados por situações do dia a dia que afetaram cada um de uma maneira, mas que foram percebidos como reações recorrentes na história de vida. 

Uma reação automatizada diante de fatos, circunstâncias, palavras, pessoas, - ou seja, situação A reação B, sempre, independente de variáveis com certeza presentes, sem reflexão -, é um sintoma do enrijecimento da nossa visão de vida e mundo. 

Para Jung, reagimos de maneira automatizada, inconsciente, em função dos complexos que vão se formando ao longo do processo individual de viver, relacionar-se, sentir. Complexos são experiências afetivas repetidas numa mesma direção e que formam então, algo como um nódulo energético que suga grande parte da nossa energia vital/psíquica e direciona nossa visão de mundo. Em função dos complexos, só ouvimos o que queremos e sentimos o que podemos.

Por isso é tão difícil entender a visão de mundo, a conduta, a atitude, a ação do outro. Em cada SER, seus complexos. Para cada complexo, reações inconscientes, autônomas.

E por esse mesmo motivo é tão importante que saibamos como as coisas funcionam em nós, nos conheçamos e possamos buscar ampliar a cada momento nosso espectro de consciência; e então fazer nossas próprias escolhas de conduta, independentes, diferentes ou iguais, mas conscientes. E não mais viver sendo conduzidos pelos nossos complexos, padrões de comportamento impostos, inconscientes.

Na prática do processo terapêutico não há nada mais valioso do que o movimento que cada um vai fazendo em direção à liberdade de SER, inteiro, independente de.


quarta-feira, 23 de maio de 2012

Por que a pressa?


Já reparou como quanto maior a pressa que estamos para fazer alguma coisa mais parados parece que ficamos? Se estamos apressadinhos no trânsito, por exemplo, nossa fila sempre parece a mais vagarosa... quanto mais tempo passamos contando os minutos para que a hora passe, mais lentamente ela parece passar...

Parecemos estar o tempo todo com a sensação de estar perdendo tempo, apressados que estamos para fazer coisas. Mas às vezes nos esquecemos de lembrar que as coisas tomam o seu próprio tempo e que idéias e sentidos vão se fazendo sim no movimento da vida, mas o movimento não precisa ser apressado.

Qual é a pressa? A gestação de idéias para que se transformem em projetos e então se materializem precisa acontecer. E isso também é movimento. Por vezes, ficar parado algum tempo promove um baita de um movimento, interior.

Promover para si mesmo um dia-a-dia um pouco mais lento é um desafio nos dias de hoje. Mas muitas vezes me pergunto: o desafio está em conseguir isso ou querer?






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