Assim me escreveu Viviane Pironelli, do jornal Expresso Zona Sul, que circula em Bonfim Paulista e Condomínios da Zona Sul de Ribeirão Preto - http://www.expressozonasul.com.br/.
Ana, a matéria que faremos é sobre filhos que passam mais tempo na escola do que com os pais e mães... por exemplo, uma mãe que entrevistei leva a bebêzinha às 7h da manhã na escola e só a pega de novo às 18h. Fica o dia inteiro longe da filha! Ela tmb deixa a filha mais velha, de 6 anos, porque precisa trabalhar das 7h30 às 18h.
Enfim, pergunto a você: ficar tanto tempo longe dos pais, pode trazer algum transtorno ou dificuldade posteriormente à criança?
Infelizmente essa é a realidade de hoje para muitas famílias. Digo infelizmente porque o tempo que os pais dedicam aos filhos tem grande importância na formação deles. Criança aprende com o exemplo e é importante que os pais transmitam aos filhos seus valores e princípios, ensinando-os como olhar e atuar no mundo em que vivemos. Mas não se pode afirmar que ficar tanto tempo longe dos pais acarrete algum transtorno para a criança. Depende de muitos fatores, como a idade da criança e a qualidade do trabalho da figura do cuidador, entre outros.
É muito importante que os pais fiquem próximos, analisem com cuidado a escola e os profissionais que trabalham, qual o projeto existente para o tempo que as crianças estão por lá, que valores essa escola está transmitindo aos pequenos, enfim, se sintam confortáveis e parceiros da escola nesse processo.
Mas, acima de tudo, que dediquem aos filhos, de fato, o tempo que podem. Porque o que vemos muitas vezes é que quando chegam em casa com os filhos ou mesmo nos finais de semana, os pais estão muito cansados ou ocupados com outros afazeres e quase nunca dedicam tempo para brincar com os pequenos, conversar com eles e conviver. Com isso, muitos pais acabam negligenciando a educação e pais e filhos pode tornar-se distantes e “quase desconhecidos” uns para os outros e isso sim poderá acarretar muitos problemas, presentes e futuros.
Existe diferença no comportamento de quem passa mais tempo com os pais, especialmente com as mães, em relação às que não ficam?
Normalmente sim. As crianças que tem presença mais constante da mãe ou dos pais, tendem a ser crianças mais seguras, tanto pelos valores que são transmitidos como pela força da presença de amor. Mas como tudo na vida, o equilíbrio é o melhor. Muitas vezes, vemos filhos que passam o tempo todo com as mães e que tem comportamentos infantilizados e sem limites, ou mesmo de agressividade. Porque às vezes a mãe fica no cuidado com os filhos mas não está feliz e então, está ali mas não se dedica de fato, entende? Ou então está sempre sem paciência para lidar com o dia-a-dia das demandas dos filhos, que são muitas, sem dúvida.
É comum as crianças se apegarem mais aos professores, vendo neles "algo" de pai e mãe?
É menos comum do que se imagina e depende muito da atitude dos pais quando estão no cuidado com os filhos. Hoje em dia, vemos muitas famílias que delegam à escola o papel de educar, seja por falta de tempo ou mesmo de interesse. O papel de educar é dos pais e é necessário que seja assim. Porém, a criança que não tiver nos pais essa referência, poderá misturar os papéis tão importantes como de professores e pais e se apegar aos professores como o “porto seguro” que talvez não sinta nos pais. Mas para as crianças não há figura mais importante que o pai e a mãe.
Por outro lado, como ficam as mães que precisam trabalhar fora e não têm outra alternativa? que dicas você daria a elas para tornar o pouco tempo que têm com os filhos mais proveitoso?
Se essa é uma realidade que não se pode evitar – e veja, às vezes até é possível evitar mas muitas mães hoje não querem trocar a sua carreira profissional pelo tempo que a maternidade demanda – uma dica importante é: brinque com seu filho, conviva, converse. A criança compreende o mundo por meio da brincadeira, ela elabora os fatos e sentimentos, compreende o significado do amor e da vida, assim. Sente com seu filho no chão. Tenha tempo para a brincadeira, a baguncinha, a risada. Às vezes demanda até menos do que imaginamos, mas quem fica muito pouco tempo com os filhos pode acabar perdendo esse vínculo e exercer apenas o papel funcional – alimenta, dá banho, cobra a lição de casa e põe na cama...
Outra dica importante é: não deixe de exercer a sua autoridade de pai e mãe. Não deixe que o cansaço ou a ausência crie a falsa sensação de que ser bonzinho com seu filho vai compensar. Pelo contrário. Criança precisa de limite para se sentir segura. Assim ela sabe que tem alguém cuidando dela e pode se soltar, criar, imaginar...
Na sua opinião, em relação à época de nossos pais e avós, a forma de criar 0s filhos hoje em dia, por causa dessa correria toda, fica comprometida? Justifique.
Ah com certeza, né? Veja o mundo que estamos vivendo. As escolas reclamam que as crianças não tem limites, os pais reclamam que a escola não educa, a sociedade reclama pois a violência está cada dia mais presente no dia-a-dia das famílias. A vida que escolhemos parece estar exigindo muito mais de todos. Se por um lado temos muito mais conforto material que na época de nossos pais e avós, por outro sofremos a conseqüência de correr atrás do dinheiro que paga esse conforto. Com isso, podemos estar perdendo mais do que ganhando e parece que o tempo já está nos dizendo isso, não? Será que temos chance de encontrar um caminho do meio, equilibrando ter e ser, conquistando uma vida mais simples e prazerosa? Eu sempre acredito que sim!
quarta-feira, 9 de março de 2011
Entrevista ao jornal Expresso Zona Sul
terça-feira, 8 de março de 2011
Olhar
Quando olhei pela janela da minha futura casa pela primeira vez eu tinha certeza que eu ia morar aqui. Da janela da minha casa eu vejo uma praça de árvores muito altas e antigas, luminárias daquelas antigas, com pé de ferro e bancos formando um círculo que convida. Também tem um Jesus Cristo! que olha pela minha janela.
Quando saio a andar pela Vila e vou ao Correio, ao banco, à padoca e à quintanda, sinto as pessoas. Quando vou na locadora ou na papelaria, sempre encontro o que preciso e atenção das pessoas. Ah a Vila...
Quando, de repente, ao olhar pela janela da minha casa, vejo a alegria, as cores, a magia, do Carnaval!! E as pessoas da minha Vila, a desfilar pela avenida em carros e fantasias surpreendentes belas. Ainda que a chuva também dê as caras quando eu olho pela minha janela, a vida anda linda aqui na minha Vila.
Da janela da sua casa, o que você vê?
Quando saio a andar pela Vila e vou ao Correio, ao banco, à padoca e à quintanda, sinto as pessoas. Quando vou na locadora ou na papelaria, sempre encontro o que preciso e atenção das pessoas. Ah a Vila...
Quando, de repente, ao olhar pela janela da minha casa, vejo a alegria, as cores, a magia, do Carnaval!! E as pessoas da minha Vila, a desfilar pela avenida em carros e fantasias surpreendentes belas. Ainda que a chuva também dê as caras quando eu olho pela minha janela, a vida anda linda aqui na minha Vila.
Da janela da sua casa, o que você vê?
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
Autoconhecimento e qualidade de vida
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| Foto de Paula Bulgarelli |
Porque vamos e convenhamos, todos temos um ser assim ou assado, que gostaríamos de ser, não é?
A grande mágica do processo terapêutico na busca por autoconhecimento, é que passamos a desmistificar esse eu que idealizamos. Em parte porque vamos nos aproximando desse eu à medida que vamos retirando nossas cascas e o jeito de ser que temos sido, para sermos nós mesmos. Em parte porque muito desse eu idealizado vai perdendo o encanto, o sentido e paramos de persegui-lo.
Esse eu idealizado tem muito do que nosso eu verdadeiro é e por isso admiramos, inconscientemente. Mas nesse eu idealizado tem também muita mente coletiva - aquela voz social que teima em dizer o que é certo e o que é errado na vida de todos. A separação entre uma parte e outra é processo terapêutico.
A casca é aquele eu que vai se formando sobre o eu mais verdadeiro e puro, à medida que interagimos com o mundo, desde que nascemos, numa barganha entre ser amado e ser feliz! O processo de retirada desses véus para enxergar o verdadeiro eu leva a uma atitude mais amorosa consigo e com o mundo.
Reconhecer quem somos nos permite atuar no mundo de uma forma mais leve e mais verdadeira, tomar decisões que tragam mais paz do que angústia, ter coragem para ser quem se é. Agimos mais em direção da nossa felicidade.
Felicidade. Acho que tá aí o grande significado de qualidade de vida!!
Sejamos felizes!
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terapia
sábado, 4 de dezembro de 2010
Dezembro
Hoje montei a ávore de Natal e um presépio, com meu filho de 6 anos. Uma delícia muito esperada. Meu filho ainda acredita em Papai Noel e quando ele chega, na noite de Natal é uma alegria indescritível. E o mais incrível é olhar para a cena e ver adultos e crianças com aquele sorriso imenso no rosto, os olhos iluminados mostrando a beleza da Alma naquele instante!
Começa o mês de Dezembro e a energia já muda completamente. Tem aqueles que adoram e aqueles que detestam o Natal, mas poucos ficam indiferentes. Talvez essa energia que permeia tudo que fazemos, no mês de dezembro, nos deixe mais sensíveis, mais reflexivos e acentuam nossa percepção, nossos sentidos e sentimentos.
Tem também a energia de mais um ciclo que se completa, novo ano que vem chegando e as energias renovadas que todo janeiro promete, também. Daí vem mais reflexão. O que vivi nesse ano que acaba? Que planos tenho para o novo ciclo que se iniciará logo?
Aproveitemos pois, a sensibilidade maior para mergulhar nessas reflexões todas e limpar a mente, limpar a casa para as boas novas que virão.
Feliz Dezembro pra você!
Começa o mês de Dezembro e a energia já muda completamente. Tem aqueles que adoram e aqueles que detestam o Natal, mas poucos ficam indiferentes. Talvez essa energia que permeia tudo que fazemos, no mês de dezembro, nos deixe mais sensíveis, mais reflexivos e acentuam nossa percepção, nossos sentidos e sentimentos.
Tem também a energia de mais um ciclo que se completa, novo ano que vem chegando e as energias renovadas que todo janeiro promete, também. Daí vem mais reflexão. O que vivi nesse ano que acaba? Que planos tenho para o novo ciclo que se iniciará logo?
Aproveitemos pois, a sensibilidade maior para mergulhar nessas reflexões todas e limpar a mente, limpar a casa para as boas novas que virão.
Feliz Dezembro pra você!
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Individuação
A individuação é um processo que permeia toda a vida. É o potencial latente a ser trabalhado, vivido. Segundo Jung “Só aquilo que somos tem o poder de curar-nos”
O processo de individuação, portanto, é integrar nossas partes inconscientes ao ego, consciência, para realizar o nosso Self, Si-Mesmo. Individuar é realizar o ser único que somos, nos diferenciando cada vez mais do comportamento em massa.
Porém isso não significa excluir-se do mundo, mas antes conhecer-se tão profundamente a ponto de compreender-se, e ao compreender-se, compreender o humano e o divino em cada ser e sentir-se parte ínfima e essencial desse todo.
Para Jung, é a partir da segunda metade da vida que entramos mais profunda e definitivamente nesse processo. É inexorável. E nesse processo a religiosidade é uma dimensão do homem que não pode ser negada. Jung usa a palavra religião no sentido do religio = re e ligare. Ou seja, religar os aspectos conscientes (ego) às profundezas do inconsciente (self), individuar-se.
"Entre todos os meus doentes na segunda metade da vida, isto é, tendo mais de 35 anos, não houve um só cujo problema mais profundo não fosse constituído pela questão de sua atitude religiosa. Todos, em última instância, estavam doentes por ter perdido aquilo que uma religião viva sempre deu em todos os tempos a seus adeptos, e nenhum curou-se realmente sem recobrar a atitude religiosa que lhe fosse própria. Isto está claro, não depende absolutamente de adesão a um credo particular ou de tornar-se membro de uma igreja." Jung
O processo de individuação, portanto, é integrar nossas partes inconscientes ao ego, consciência, para realizar o nosso Self, Si-Mesmo. Individuar é realizar o ser único que somos, nos diferenciando cada vez mais do comportamento em massa.
Porém isso não significa excluir-se do mundo, mas antes conhecer-se tão profundamente a ponto de compreender-se, e ao compreender-se, compreender o humano e o divino em cada ser e sentir-se parte ínfima e essencial desse todo.
Para Jung, é a partir da segunda metade da vida que entramos mais profunda e definitivamente nesse processo. É inexorável. E nesse processo a religiosidade é uma dimensão do homem que não pode ser negada. Jung usa a palavra religião no sentido do religio = re e ligare. Ou seja, religar os aspectos conscientes (ego) às profundezas do inconsciente (self), individuar-se.
"Entre todos os meus doentes na segunda metade da vida, isto é, tendo mais de 35 anos, não houve um só cujo problema mais profundo não fosse constituído pela questão de sua atitude religiosa. Todos, em última instância, estavam doentes por ter perdido aquilo que uma religião viva sempre deu em todos os tempos a seus adeptos, e nenhum curou-se realmente sem recobrar a atitude religiosa que lhe fosse própria. Isto está claro, não depende absolutamente de adesão a um credo particular ou de tornar-se membro de uma igreja." Jung
terça-feira, 23 de novembro de 2010
Caixa de Areia ou Sandplay
A técnica terapêutica da Caixa de Areia, desenvolvida por Dora Kalf, foi muito utilizada por Jung.
Consiste na construção de cenários numa caixa de areia com proporções milimetricamente pensadas, de fundo azul, coberta com generosa quantidade de areia tratada e prazerosa ao tato.
A terapeuta tem uma prateleira de miniaturas, que são os objetos que serão, concentrada ou displicentemente, usados pelo cliente para brincar de construir um cenário qualquer. Por vezes, acontece apenas o manuseio da areia na caixa e o cenário acontece.
Consiste na construção de cenários numa caixa de areia com proporções milimetricamente pensadas, de fundo azul, coberta com generosa quantidade de areia tratada e prazerosa ao tato.
A terapeuta tem uma prateleira de miniaturas, que são os objetos que serão, concentrada ou displicentemente, usados pelo cliente para brincar de construir um cenário qualquer. Por vezes, acontece apenas o manuseio da areia na caixa e o cenário acontece.
A areia é o meio perfeito para a condução da energia psíquica, movimentando-a e contribuindo para o seu livre fluxo. Essa energia liberada e mais leve, trabalha a favor do equilíbrio das emoções e do autoconhecimento.
sábado, 30 de outubro de 2010
Mudar ou não mudar, eis a questão?
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| Walnut |
Refletindo, disse à ela que sinto que há 2 questões primordiais nessa questão: primeiro é necessário ter muita clareza do motivo que leva à vontade de mudança, porque, senão, seres humanos que somos, depois de algum tempo podemos nos esquecer da razão pela qual quisemos aquela mudança e estarmos novamente insatisfeitos onde estamos. E é bom lembrar que nos esquecemos facilmente das dificuldades e infelicidades, tão logo deixamos a situação de stress.
E a segunda questão, inspirada pela famosa frase do John Lennon “Estive em todos os lugares e só me encontrei em mim mesmo”, ou algo parecido, e que na verdade está intimamente ligada à primeira, porque se temos certeza dos motivos pelos quais estamos buscando uma mudança grande de vida/lugar etc. temos mais chance de não esconder atrás da mudança (seja de marido, casa, cidade, emprego etc...) uma insatisfação mais profunda de não sabermos quem somos, de onde viemos e para onde vamos.... sabe como é?
Por isso é preciso ter coragem. Coragem para mudar? Também. Mas a coragem maior, de fato, é para encarar à fundo quem se é e ser fiel às descobertas, mesmo que isso implique deixar de ser o que pensam que somos os que nos rodeiam (e pensamos nós muitas vezes) e agir de acordo com esse novo ser que descobrimos ser.
A partir daí, mudar de casa, de cidade, de emprego, de amigos ou de qualquer coisa na vida, passa a ser consequência natural do processo. Coragem amiga!
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mudança
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
Jung - Vida e Obra
“Minha vida é a quintessência do que escrevi
e não ao contrário.
O que sou e o que escrevo são uma só coisa.
Todas as minhas idéias e todos os meus esforços,
eis o que sou.”
Jung
O primeiro sonho de que Jung se recorda, relatado nas Memórias, aconteceu quando ele tinha mais ou menos 3 anos de idade!
Filho de um pastor protestante, que segundo Jung tinha muita dificuldade com a fé, a relação com Deus e os dogmas que não tinha coragem de enfrentar, Jung teve na religião e espiritualidade forças de grande influência na sua vida e obra.
A vida toda de Jung foi marcada por símbolos e imagens do inconsciente, brincadeiras rituais que criava, ainda sem um significado razoável, fora a marca e alento emocionais que deixavam no menino, já profundo no acesso às imagens do mundo interior.
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