quarta-feira, 19 de abril de 2017

Sobre a série 13 Reasons Why*

Eu não sou uma pessoa que assiste a séries. Não vi nenhuma, além de alguns poucos episódios de Friends (hahaha quem não?). Mas essa série 13 Reasons Why me pegou no final de semana de feriado, e assisti aos 13 episódios numa sequência non stop.

Inicialmente me pegou pela polêmica em torno da questão do suicídio, mas já do segundo minuto em diante me pegou por ela mesma. Eu gostei muito! E recomendo a todos os pais, professores, educadores e adultos em geral, minimamente interessados em olhar com cuidado, amor e generosidade para a adolescência no mundo de hoje. Na verdade para a adolescência de uma forma geral, hoje com cores mais berrantes, a meu ver, típicas do mundo em que vivemos.

Como falei acima, não sou qualificada para fazer uma análise crítica do ponto de vista técnico, artístico ou de produção e apesar de ter gostado muito da série em si, estou aqui para comentar sobre o conteúdo: o espinhoso tema adolescer, que na minha opinião é o tema central da série. E não necessariamente o suicídio em si.

Fiquei super impactada com a história, seus personagens, vivências e dramas. E tudo ficou reverberando em mim por dias... Talvez porque eu tenha um filho de 13 anos e o tema adolescer tem mexido muito comigo, evidentemente.

Só vivenciando essa fase com meu filho me dei conta de que adolescente = vergonha. Meu Deus, que judiação. Eles sofrem. Muito. Por tudo e qualquer coisa. São extremamente sensíveis e vulneráveis. Já não são nossos bebês que podem ser protegidos e assegurados de que tudo vai dar certo. Ainda não têm vivência de vida suficiente para saber que sim, tudo vai dar certo, de um jeito ou de outro. Estão à mercê de experiências, opiniões e acontecimentos para os quais não tem ainda repertório suficiente para lidar com. E já não contam com os pais para dar-lhes essa ajuda. Não querem contar. Natural.

E a escola, ah a escola... é um ambiente hostil e cada vez mais - generalizando é claro - liderado por pessoas que não se comprometem, não estão ali para de fato apoiá-los, representá-los, compreendê-los nas suas individualidades e diferenças. Uma escola que não tem espaço para o aprendizado das emoções, das relações, dos valores e bases que nos constituem. Até quando?

Ouvi vários comentários por aí sobre o fato de que nossas escolas eram iguais e que também sofremos muito bullying na adolescência. OK, minha adolescência não foi nada fácil, nada mesmo. Pode perguntar para minha mãe! :) Na minha visão, simplesmente porque adolescer é punk mesmo. Mas foi bem longe do que vi sendo retratado ali e que vi claramente acontecendo em escolas por onde meu filho já passou. Vejo muita diferença na escola Waldorf em que hoje estamos.

Analisando sob o ponto de vista junguiano, onde para cada força radicalizada na consciência nasce uma força oposta de mesma intensidade na inconsciência; vejo no contexto contemporâneo do politicamente correto, da perfeição, da rigidez e padronização sem limites, o crescimento de maneira acentuada da agressividade, raiva, "sujeira" e caos. E sinto que de alguma maneira, são os adolescentes - talvez a fatia mais vulnerável da nossa sociedade - os que estão pagando o preço mais alto dessa história. 

Para mim, a série coloca em lentes de super aumento a seguinte questão: até quando vamos nos conformar em viver numa sociedade que não nos permite ser quem somos, com liberdade e verdade, colocando no mundo nossa melhor versão, e com isso, dando liberdade ao outro para fazer a mesma coisa?? Até quando vamos priorizar o ter, o parecer ser, do que o SER de fato??

O que eu sei é que é preciso muita coragem para reverter essa equação e sei também que quem tem a coragem de arriscar já está vivendo essa nova possibilidade de vida! Desejo de coração que mais gente possa enxergar essa faceta que a série mostrou para mim. E desejo também que os pais e as escolas reflitam junto com seus adolescentes esses temas que a série propõe! 

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